A garota amplificada

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E Olga acordou. Boca seca e amarga como sua alma.

Pensou:

“-  De novo, não… ”

Acordou mas não quis abrir os olhos como de costume. Espremeu os olhos de forma a tentar voltar a dormir, pois não queria acordar, como de costume.  Acordar todas as manhãs havia se tornado uma tarefa árdua. Lembranças, lembranças, lembranças.

Pensou um pouco, respirou fundo e engoliu um pigarro à seco que incomodava a garganta por conta do excesso de fumo da noite passada. E então, suspirou. Suspirou como alguém que quisesse dizer ” Tá foda mas eu aguento mais um dia, mais uma vez”, mas só pensou.

Dentro do peito queimava como ferida inflamada. Algo doía como se fosse físico. Dentro da mente, só se via escuridão, embora em plena manhã ensolarada.

O coração gritava em silêncio… “mê dê amor”

O “bom dia” quase não saiu da garganta, não fosse o esforço pra manter-se viva.

Olga sabia o que ninguém mais sabia, viu o que só seus olhos podem contar. Sentiu tão demasiadamente, que doeu. Porque sentir, dói.

Queria pedir socorro, mas sabia que não seria ouvida, acudida ou compreendida, então, implodia.

Acordar doía, dormir doía, respirar doía. Doeu na alma até quanto ela pôde suportar neste dia.

Acordava todos os dias com aqueles mesmos pensamentos. Lembranças da infância, rejeição, opressão. Adolescência transviada. Juventude perdida.

Olga era bem do tipo “garota-problema”.  Leão, da Selva, demais pro seu quintal. Vivia muito mais do que qualquer um que pudesse dizer que foi ao Sul, ou Norte. Muito mais e mais rápido. Via, vivia, absorvia. SOFRIA.

Ela sabia que só podia contar com si mesma. Quem mais poderia entendê-la melhor? Ninguém, nem ela mesma.

Uma garota condenada a ter seus sentimentos, emoções e problemas amplificados pelo resto de sua vida, não via muita razão ou alegria nas coisas. Não entendia como o mundo funcionava, sofria severamente com qualquer tipo de rejeição, imcompreensão, solidão.

Mas ela sabia que era só mais uma dia como outro, e como todos os outros que ainda estariam por vir.

Então Olga prossegiu por mais um dia. Insistindo, persistindo em viver, embora quão difícil fosse em sua mente.

A intermitência entre rir ou não sorrir. Sentir demais e não querer sentir.

Olga sou eu, Olga é você que mata mil leões por dia em sua mente e não desiste de viver.

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2 comentários sobre “A garota amplificada

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